Quanto maior o Market Share das redes ou centrais de negócios, maior o volume de produtos e serviços que poderão ser negociados com os fornecedores.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista recente criticou concentração de mercado em várias áreas da economia brasileira. Guedes citou que o País tem “200 milhões de trouxas”, mas apenas “seis bancos” e “seis transportadoras”. “Todo mundo ficando rico às custas do brasileiro”, pontuou, em referência à baixa concorrência nesses setores.

Nas gôndolas do supermercado não é diferente. Dez grandes companhias – entre elas Unilever, Nestlé, Procter & Gamble, Kraft, AMBEV e Coca-Cola – abocanham de 60% a 70% das compras de uma família e tornam o Brasil um dos países com maior nível de concentração no mundo.

Este fenômeno não ocorre só no Brasil. O economista americano Jonathan Tepper, em seu livro, lançado em 2019, The Myth of Capitalism: Monopolies and the Death of Competition (“O mito do capitalismo: monopólios e a morte da concorrência”, sem versão para o português), chama atenção que a batalha pela competição está sendo perdida, por que todos os setores estão se tornando altamente concentrados nas mãos de poucos competidores.

Segundo o autor, dada a prevalência, especialmente na era digital, do modelo “o ganhador leva tudo”, a essência do capitalismo, baseado na existência de mercados concorrenciais, está se mostrando defeituoso, pois tem falhado na criação de riquezas e redução da pobreza, gerado uma enorme insatisfação mundo a fora.

O associativo empresarial, através das redes e centrais de negócios é uma estratégia inteligente para injetar competição em setores que estão caminhando para a concentração de mercados nas mãos de poucos concorrentes.

A área de farmácias e drogaria é um exemplo exitoso deste tipo de estratégia. Ao mesmo tempo em que se acelerava o processo de fusões e aquisições das grandes redes de farmácias e drogarias brasileiras, os pequenos e médios estabelecimentos independentes investiam no fortalecimento, estruturação e profissionalização de entidade de abrangência nacional como a FEBRAFAR.  Mais recentemente, o mesmo está ocorrendo na área de materiais de construção e móveis através da FEBRAMAT e da REDE BRASIL, respectivamente.

Porém, mesmo com o pioneirismo da Central de Compras, que surgiu em 1978, a partir da associação de supermercadistas do estado do Espírito Santo, o setor ainda enxerga o associativismo como a forma ideal para chegar às grandes indústrias, mas não para competir de igual para igual com as grandes redes supermercadistas existentes no Brasil.

A cultura preponderante nas redes e centrais de negócios privilegia as negociações de produtos e serviços com os fornecedores. Esta visão pode ser uma armadilha. Afinal, no mundo dos negócios “tamanho é documento”.

Quanto maior a participação no mercado (Market Share) das redes ou centrais de negócios, maior o volume de produtos e serviços que poderão ser negociados. Portanto, para aumentar a escala de compras e poder de barganha junto aos fornecedores é preciso aumentar as vendas e a participação no mercado dos associados da rede.

No setor supermercadista a concentração de mercado vem avançando gradualmente. Na medida que as grandes companhias aumentam sua participação, a escala de compras e o poder de barganha dos pequenos e médios negócios diminui.

As redes e centrais de negócios podem injetar competitividade no setor. Porém, para que isto aconteça, os dirigentes e associados devem encará-las como um “novo negócio” que requer um modelo de governança e gestão próprio e profissionalizado, com respeito a hierarquia do conhecimento e que estimule a eficiência coletiva para aumentar as vendas e a participação no mercado dos associados e não apenas facilitar o acesso aos grandes fornecedores de produtos e serviços.

Escrito por Adriano Arthur Dienstimann – Diretor da Redexpert.

Fontes:

Artigo “O CAPITALISMO ESTÁ POUCO CAPITALISTA” – Revista Exame 1200 – 25/12/19 – pagina 38 – resenha sobre o livro “The Myth os Capitalism”.

https://jornalggn.com.br/economia-domestica/a-concentracao-do-mercado-brasileiro-na-mao-de-poucas-empresas/