As regras do jogo. Mesmo diante de um modelo de negócio baseado no associativismo, deve existir um denominador comum para que a conversa seja clara e o objetivo, seja o mesmo para todos os envolvidos. Nesse sentido, a governança na Rede ou Central tem papel fundamental para um avanço estruturado, em busca do crescimento de todos os associados do grupo.

Além de definir as regras que precisam ser seguidas, ela contribui para que a Rede ou Central tenha maior compreensão e habilidade para lidar com imprevistos que a jornada do cooperativismo pode proporcionar.

E pensando na relevância da governança, neste conteúdo apresentamos o que ela é, qual o seu papel dentro deste modelo de negócio, quais são as possibilidades de aplicação e alguns insights de como você consegue, junto ao grupo, colocá-la em prática. Continue a leitura!

O que é a Governança na Rede ou Central?

De acordo com Douglas Wegner, em vídeo sobre a Governança em Redes Colaborativas: “[…] ela funciona como as regras do jogo da cooperação. Consiste em definir uma estrutura e mecanismos que permitam que os parceiros exerçam suficiente controle sobre a direção da Rede ou Central de Negócio”.

Além disso, as regras não precisam ser imutáveis, mas devem apresentar consistência e um ponto importante é que, quanto mais integrantes, mais relevante é a definição de um sistema de governança na Rede ou Central.

Entendemos que como são várias opiniões, ideias e vivências trabalhando em conjunto, é necessário uma base de atuação em comum, um sistema norteador, para diminuir os riscos da cooperação e aumentar a capacidade da Rede para responder a situações e circunstâncias imprevistas.

Qual é o papel da governança neste modelo de negócio?

O sistema de Governança deve:

  • Alinhar o interesse dos parceiros;
  • Estimular ganhos de longo prazo e desestimular ganhos de curto prazo;
  • Proteger os parceiros de comportamentos oportunistas;
  • Evitar a apropriação indevida de benefícios;
  • Assegurar que os participantes se engajem em atividades coletivas.

Quais são os modelos de aplicação possíveis de Governança?

Governança Compartilhada

  • Altamente descentralizada e com participação das empresas;
  • Depende da participação dos membros para ser eficiente.

Normalmente ela é aplicada em Redes e Centrais de pequeno porte, onde existe um alto grau de confiança entre os associados, já que literalmente as decisões e ações são pensadas e realizadas “a quatro mãos”.

Entretanto, diante desses aspectos, esse modelo de governança de Rede pode a princípio parecer confuso, já que não existe uma definição clara de hierarquia. Mas, é um modelo aplicável que também conta com seus benefícios.

Governança com Organização Líder

  • Um dos membros da Rede assume o papel de líder;
  • Existe uma relação hierárquica de poder.

Neste caso, um negócio que apresenta maior desenvolvimento assume a liderança da Rede ou Central, ficando responsável por coordenar os passos do grupo de forma conjunta.

Governança com Organização Administrativa da Rede (OAR)

  • Uma entidade administrativa separada é criada;
  • A OAR tem um papel central em organizar a Rede.

Entender o que é a Organização Administrativa da Rede (OAR) vai se tornar mais fácil se você conseguiu compreender o que é a Governança Compartilhada e o que é a Governança com Organização Líder.

Primeiro, a ideia da governança compartilhada é ter uma gestão totalmente descentralizada e com todos os membros sendo atuantes. Depois, vem a alternativa de ter um líder como organizador dessa governança. Isso cria a ideia de hierarquia.

Além desses modelos de governanças corporativas, a gente também tem a opção de quem uma entidade administrativa faça o papel da liderança. Assim, não haverá um único líder interno e sim um grupo de gestores/executivos que vão coordenar a Rede.

No modelo de governança com uma Organização Administrativa da Rede, os associados continuam realizando e atuando de forma estratégica através deste modelo de negócio e a OAR é uma entidade administrativa que não é estruturada por eles. 

Neste modelo nem todas as decisões serão tomadas em conjunto com os participantes, mas perante o mercado esse modelo é recebido positivamente, já que está claro quem é o responsável pela Rede.

Como ela pode ser estruturada?

O primeiro passo para estruturar a Governança na Rede, é definir o modelo de aplicação. Ele pode ser um dos modelos que abordamos anteriormente, o modelo de Governança Compartilhada, Governança com uma Organização Líder ou Governança com Organização Administrativa da Rede.

Definido isso, existem alguns detalhes essenciais, pontuados pelo Douglas Wegner, que podem fazer a diferença para uma governança mais clara e assertiva.

Decisão

Um dos pontos que devem ser considerados diz respeito às decisões. E para que se possa chegar às melhores conclusões, algumas perguntas devem ser feitas. Por exemplo:

  • Como as decisões irão ser tomadas? 
  • O próprio modelo de aplicação da Governança já irá nortear esse aspecto?
  • Quem dará a palavra final: será um grupo de associados ou serão todos? 
  • Qual é o processo para se chegar em uma decisão? 
  • Haverá reuniões semanais? 

É indicado que todas essas possibilidades sejam avaliadas e o grupo assim defina, de fato, como que a Rede ou Central deve se orientar diante de cada nova decisão que precisará ser tomada.

Formalização

Quais serão os níveis de formalização adotados pela Rede? O que precisará ou não ser formalizado? Quais processos devem ser formais e quais não?

Todos esses pontos precisam ser ponderados, lembrando que a formalização em demasia pode engessar os processos ou mesmo tornar lenta a tomada de decisão e a adoção de novas ideias que podem contribuir para o crescimento do grupo.

Então, a formalização demanda uma análise mais criteriosa. Sendo assim, coloque na mesa para que os associados também participem ativamente dessa etapa, já que isso impactará na atuação de todos dentro da Rede.

Especialização

Para trabalhar esse ponto é preciso que o objetivo da Rede ou Central esteja claro. Se ele ainda não foi definido, façam isso para depois voltar a esse item. Isso porque, o aspecto da especialização está profundamente conectado com os objetivos do grupo. 

Se, por exemplo, o objetivo é diminuir em X% o custo unitário dos produtos através das compras conjuntas, a especialização almejada deve estar relacionada à potencialização das estratégias, com equipes que auxiliem ou trabalhem exclusivamente com foco nesse objetivo.

Entretanto, sabemos que não há sustentabilidade em uma Rede ou Central que realiza grandes investimentos para potencializar todas as áreas. 

Diante disso, a definição dos objetivos é indispensável, pois o grupo pode direcionar esforços — em menor ou maior proporção — para o que de fato importa e impacta nos resultados.

Incentivos e Sanções

Assim como a definição das regras colabora para o desenvolvimento do grupo, é primordial estruturar incentivos e sanções. Como os termos sugerem, os incentivos auxiliam no engajamento dos integrantes do grupo, e podem ser prêmios, descontos, etc.

Eles devem proporcionar um interesse contínuo do grupo pelas atividades, de modo que a médio e longo prazo os resultados desse engajamento e comprometimento com o crescimento coletivo fiquem claros e o foco não esteja mais apenas nas premiações e sim na força da atuação em conjunto.

Da mesma forma, caso algum associado não atue de forma correta, é necessário que existam penalidades que serão aplicadas, assim todos estão cientes do peso de suas ações.

Controle de resultados

Como uma frase diz “o que não pode ser medido, não pode ser gerenciado”. O acompanhamento do andamento das ações e, neste caso, do sistema de governança, é essencial para entender se o que foi considerado nas definições de fato está sendo eficaz ou deve ser alterado.

E como mencionamos no início deste conteúdo, as regras não precisam ser imutáveis, pelo contrário, provavelmente ajustes serão necessários, seja pela proporção de crescimento que a Rede ou Central tome depois de um tempo, ou mesmo o próprio mercado demande um novo posicionamento e atuação do grupo.

Então, é recomendado que vocês estabeleçam KPIs e outros indicadores que permitam mensurar o desenvolvimento desse sistema e claro, a evolução do modelo de negócio e o quanto se caminhou em direção aos objetivos definidos inicialmente.

E então?

Como você viu, a estruturação de uma governança na Rede ou Central é extremamente importante. Se o seu grupo já tem esse sistema estruturado, vale a pena fazer uma revisão para calibrar as regras do jogo.

Caso ainda não tenham definido um modelo de Governança para aplicar, separe um tempo na agenda e reúna todos para debaterem sobre o modelo mais adequado, bem como, todos os pontos menores que envolvem uma governança assertiva e relevante.

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